Clarinha
Clarinha e o Dia dos Três Corações
Era uma vez, num parquinho ensolarado entre uma cerca de madeira e uma casinha de telhado azul, uma menina chamada Clarinha.
Clarinha tinha cachinhos que pulavam quando ela ria, óculos cor-de-rosa que faziam o mundo parecer um pouco mais brilhante, e uma camiseta muito especial: uma camiseta com três corações. Um laranja, um azul e um vermelhinho menor. Ela dizia que cada um tinha um poder.
O coração laranja era o da Coragem. Era o que ela usava para subir na ponte de troncos, mesmo quando balançava um pouquinho.
O coração azul era o da Curiosidade. Era o que a fazia olhar para longe, sempre se perguntando o que tinha do outro lado da janela, do muro, do céu.
E o coração vermelho pequeno era o do Carinho. Era o maior de todos, mesmo sendo o menorzinho. Era o que ela guardava para dar.
Naquela tarde, Clarinha sentou no meio da ponte, com uma perninha dobrada e a outra balançando, como uma exploradora em pausa. O sol batia quente, a madeira estava quentinha, e o vento trouxe um barulhinho de folhas.
Ela não estava esperando nada. Mas as melhores histórias acontecem assim.
Ela sorriu. Não porque alguém mandou sorrir. Sorriu porque lembrou que tinha os três corações com ela, o dia todo, todos os dias.
E quem tem coragem, curiosidade e carinho no peito, já tem tudo para viver uma grande aventura — mesmo que a aventura seja só ficar sentadinha no parquinho, observando o mundo passar.
Fim? Que nada. É só o começo do dia da Clarinha.
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